Para tratar com propriedade de
assunto tão complexo e abrangente como a educação, escolhi inicialmente
fundamentar a análise em critérios objetivos e relativos. Para tanto,
utilizarei os resultados da avaliação internacional PISA.Trata-se de avaliação
comparada, aplicada de forma amostral a estudantes matriculados a partir do 8º
ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos, idade em que se
pressupõe o término da escolaridade básica obrigatória na maioria dos países.
O desempenho dos alunos no Brasil
está abaixo da média dos alunos em países da OCDE em ciências (401 pontos,
comparados à média de 493 pontos), em leitura (407 pontos, comparados à média
de 493 pontos) e em matemática (377 pontos, comparados à média de 490 pontos),
como foi demonstrado no sistema de avaliação PISA – Programme International of
Students Assement.
Não é de hoje que o Brasil vem apresentando esses
resultados. Diante do diagnóstico, é necessário analisar as possíveis causas
que levaram a esse desastroso resultado. Inicialmente, temos abaixo, as
variáveis consideradas importantes, pelo PISA:
1. Investimento em educação: o Brasil com
PIB per capita de 40% do PIB p/c da média dos demais países da OCDE gasta 42%
do que a média dos demais;
2. O Brasil tem uma alto percentual de
alunos em camadas desfavorecidas: 43% dos alunos se situam entre os 20% mais
desfavorecidos na escala internacional de níveis sócio-econômicos do PISA, uma
parcela muito superior à media de 12% de alunos nesta faixa entre os países da
OCDE;
3. Baixa escolaridade dos pais dos
alunos: menos de 15% com diploma universitário; enquanto nos demais países, a
média é de 37%. Essa variável não foi comparada com os demais países avaliados.
Podemos constatar, então, que o gasto
per capita com educação no Brasil é, proporcionalmente ao PIB p/c, maior que os
demais países, o que nos leva a considerar que os resultados não são
decorrentes de investimentos insuficientes;
Quanto
ao nível sócio econômico, o Brasil tem um contingente quase quatro vezes maior
de estudantes na faixa dos 20% mais desfavorecidos.
Pobreza
e baixa escolaridade dos pais, por si só, seriam motivos suficientes para gerar tais
resultados?
Referências
- http://portal.inep.gov.br/pisa
2. Country Note OECD - Programme for International Students Assessment
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